Instituto Butantan de São Paulo produz soro contra o veneno de abelha
26/9/2010 - Abelhas
As abelhas são fascinantes. Mas para evitar acidentes, é preciso ter cuidado.
Especialistas da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo dizem que, quando um adulto é picado por mais de duzentas abelhas, ele recebe uma quantidade de veneno suficiente para causar lesões no fígado, no coração e nos rins. Essas lesões podem à falência dos orgãos e à morte do paciente. Mas já existe um soro capaz de reverter esse quadro.
Nos últimos seis anos, a bióloga Keity Souza, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, orientada por um professor da Unesp de Rio Claro, trabalhou em parceria com o Instituto Butantan, que tem tradição na preparação de soros e vacinas, para retomar a antiga idéia de produzir um soro contra o veneno de abelhas.
Entrevista com Keity Souza/bióloga e pesquisadora:
" Este soro é produzido de forma similar como é produzido um soro antiofídico, para veneno de serpente. Você vai utilizar o próprio veneno de abelha, vai injetar no cavalo para induzir ele a produzir anticorpos específicos que vão combater as toxinas do veneno de abelha. Você vai induzir uma dose que não seja prejudicial para o cavalo, mas que seja suficiente para realizar essa resposta. Seria mais ou menos o que o seu organismo faria se ele tivesse tempo hábil. Mas você tem um ataque, muito veneno circulando, você não consegue produzir todos os anticorpos para combater as toxinas".
Entrevista com Ronaldo Ferreira/veterinário da Fazenda Butantan:
" O cavalo é um excelente produtor de imunoglobulinas, de anticorpos. Anticorpos é o que a gente busca na nossa produção, seja para qualquer tipo de soro, de abelhas ou de outro tipo. Eles não sofrem com as imunizações ,porque o veneno não produz envenenamento neles. Age como uma vacina, só para estimular a produção de anticorpos".
O soro vai combater o veneno das abelhas africanizadas, resultado do cruzamento das européias, as primeiras trazidas para o Brasil para a produzir mel, com as africanas. De acordo com os pesquisadores, elas produzem mais, mas são muito mais agressivas. E, ao contrário do que se poderia pensar, a maioria dos acidentes ocorre nas cidades.
Entrevista com Keity Souza/bióloga e pesquisadora:
"Muitas pessoas acham que a maioria dos acidentes acontecem em áreas rurais. Isso não é verdade. Acontece em áreas urbanas - geralmente porque o homem vai ocupando desordenadamente os espaços que as abelhas habitariam. Elas invadem as cidades e atacam as pessoas".
O Instituto Butantan produziu lotes da vacina em caráter experimental. O soro está patenteado e deve começar a ser utilizado em cerca de um ano, no hospital do Instituto Butantan, referência para estes casos.
Autor:
Editora-Chefe:Vera Diegoli. Reportagem:Cláudia Tavares. Pauta:Marici Arruda. Imagens:Adilson de Paula, Alexandre Bissoli e Peterson Lourenço.Auxiliar de Câmera:Leandro Freitas. Operador de áudio:Silvinho Oliveira. Edição de Texto: Alexandre Redondo. Edição de Imagens: João Kralik
Fonte reporter eco
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário